Assassinatos, lesões corporais, estupros, extorsões e humilhações públicas são crimes dos quais os homossexuais são vítimas, mas já estão previstos no Código Penal porque qualquer cidadão heterossexual também podem ser vítimas deles... Inadmissível é que juízes variem a sentença dos algozes - quando estes vão a julgamento - segundo a orientação sexual de suas vítimas, ou seja, dêem uma pena mais branda a um assassino só porque sua vítima era um homossexual e o advogado ou defensor público desse assassino argumentou que a vítima era promíscua – logo, culpada de seu fim trágico – ou assediou o algoz. É por isso que devemos lutar por uma liberdade de escolha sexual e por uma livre expressão pública dessa escolha. Acho que as paradas do orgulho gay são um primeiro e importante passo nessa direção. Poder realizá-las até mesmo em cidades como Feira de Santana é uma grande conquista.
Os LGBT também são a “sociedade brasileira” ou fazem parte dela... Há gays e lésbicas em todos os setores da sociedade: somos muitos e estamos em toda parte. Nesse sentido, a sociedade brasileira convive em harmonia com os LGBT porque estes fazem parte dela, muitas vezes reforçando seus preconceitos e sua estupidez. Assim, muita gente poderia achar que não há homofobia ou que estamos livres dela. Mas será que as famílias e amigos dos travestis assassinados e humilhados diariamente por seu modo de vida podem dizer o mesmo? Será que os gays agredidos em praias por lutadores de jiu-jitsu podem dizer o mesmo? Será que as bichas afetadas, sobretudo as mais pobres, que são ofendidas verbalmente em suas casas e escolas e rejeitadas pelos postos de trabalho podem dizer o mesmo? Respondam-me, por favor. Por tudo isso, é preciso dizer NÃO à HOMOFOBIA.
Jean Wyllys, jornalista e escritor